Quando um casal decide engravidar, coloca em ação seus grandes sonhos geracionais: ter filhos é gerar descendentes, dar continuidade a si e à família de cada um. Um bebê é também o fruto do encontro amoroso de dois. É ainda o sonho de poder entregar ao mundo o melhor de nós, através dessa criança. Em outras palavras, ter filhos é mobilizar o sentido da nossa existência de forma muito ampla e profunda e para cada um de nós, aspectos diferentes são mais mobilizados.
E ninguém está preparado para este sonho ser frustrado, seja homem ou mulher. As tentativas, o tempo de espera e finalmente os diagnósticos de infertilidade são sempre uma quebra dolorida desse sonho. Fica uma sensação de que algo não está acontecendo como deveria, que algo faltou ou falhou.
Começam então as cobranças internas e questionamentos: será que está tudo bem comigo? E com meu parceiro? Será que eu fiz alguma coisa no passado para causar essa infertilidade agora? E se eu tivesse tentado engravidar antes?? E para algumas pessoas estes questionamentos vão a um nível mais profundo e relatam sentir que é como se o sentido da vida estivesse sendo colocado em xeque, outros sentem como se perdessem seu valor diante do mundo, da família ou do parceiro. Há ainda aqueles que se sentem muito culpados, que sugerem que seria melhor meu companheiro(a) encontrar outra pessoa com quem possa ter filhos. Esses sofrimentos frequentemente são vividos em silêncio e exatamente por conta deste isolamento no sofrimento, pode se tornar ainda mais difícil.
As cobranças sociais também pesam: amigos, familiares, colegas, todos esperam que você tenha filhos. As piadinhas aparentemente inocentes – do tipo, “e aí, não vão encomendar um bebê?” – podem ser sentidas como cutucões, como se expusessem publicamente uma ferida já aberta.