Células NK e Aborto recorrente
Nestes estudos, basicamente é feito um teste que mede a reatividade das células NK à placenta, reproduzindo em um ensaio laboratorial o mesmo que ocorre no corpo da paciente e observando os resultados. Uma resposta exagerada indica que provavelmente na gravidez haja um componente de agressão imune intensa a partir dos primeiros contatos da gravidez com o ambiente uterino.
Isto dificulta o processo de adaptação imunológica do corpo da mulher à presença do embrião e da placenta no útero, uma vez que o organismo entende que a gestação é no mínimo 50% diferente do seu próprio material genético.
Com um resultado anormal da atividade das células NK, indicamos um tratamento à base de Intralipídeos, compostos de gordura de alta qualidade para administração intravenosa, que contém concentrações balanceadas de ômega 3, 6 e 9.
Essa solução administrada por via venosa tem um efeito modulador do sistema imune, sem imunossuprimir nossas respostas naturais a agressões reais do ambiente, que são essenciais à nossa sobrevivência. Iniciado esse tratamento, é feito um controle do seu resultado pela avaliação do balanço de citocinas intracelulares (Relação Th1/Th2).
Um resultado normal indica que o intralipídeo isoladamente teve boa resposta, o que é esperado na maioria das mulheres, ou se há necessidade de se introduzir outros elementos ao protocolo de tratamento, como eventualmente corticoides, hidroxicloroquina, G-CSF, ou ainda fármacos mais agressivos, como Humira, tracolimos, etc. Desta forma, conseguimos personalizar o tratamento às necessidades individuais de cada casal.