A insuficiência istmocervical (IIC), também conhecida como incompetência istmocervical, é a dificuldade do colo do útero em suportar o peso da gravidez, dilatando antes do tempo e resultando em aborto tardio ou parto prematuro.
O que significa útero fraco?
Na verdade, quando a mulher apresenta Insuficiência istmocervical, é o colo do útero (abertura na parte inferior que liga a vagina ao útero) que é considerado fraco.
Quando o colo do útero é mais curto que o normal, ele pode não aguentar a pressão do peso do bebê e dilatar muito tempo antes da data prevista e o bebê pode nascer prematuramente.

Causas da Insuficiência Istmocervical
Normalmente, não é possível identificar uma causa específica para a insuficiência istmocervical, que pode ser congênita ou adquirida. Porém, alguns fatores podem aumentar o risco, são eles:
- Síndrome de Ehlers-Danlos (doença do tecido conjuntivo presente no nascimento)
- Lesão no colo do útero
- Defeitos congênitos no útero
- Histórico de abortos espontâneos no segundo semestre
- Procedimento para retirada de lesões pré-cancerosas no colo do útero (biópsia em cone)
- Cirurgia de “alta frequência”
- Curetagem
- Aborto induzido
Vale salientar que a maioria das mulheres com insuficiência istmocervical não tem nenhum dos fatores de risco citados acima.
Como saber se tenho insuficiência istmocervical?
Os sintomas da insuficiência istmocervical são raros e muitas mulheres não apresentam nenhum sintoma até que seu bebê nasça prematuro. Mas fique atenta e fale com o seu médico se apresentar um desses sinais:
- Pressão na vagina
- Sangramento vaginal
- Dor no abdômen ou nas costas
- Secreção vaginal
Como diagnosticar a Insuficiência istmocervical?
Infelizmente, o diagnóstico geralmente é feito somente após uma perda gestacional. Isso porque, durante o acompanhamento do pré natal, o exame para verificar o colo do útero não é um protocolo a ser seguido em todas as gestantes, somente nas gestantes com histórico de partos prematuros ou nas gestantes que possuem algum fator de risco. Porém, é possível sim, realizar o diagnóstico durante a gravidez através do ultrassom transvaginal seriado a partir de 16 semanas de gravidez. Converse com o seu Obstetra sobre o acompanhamento do colo do útero no segundo trimestre de gestação. Leia mais em Ultrassom na Gravidez.
Um dos métodos para o diagnóstico de IIC é feito através da avaliação do comprimento do colo do útero através do ultrassom transvaginal. Porém, vale ressaltar que somente o colo curto não fecha o diagnóstico de IIC, mas auxilia quando já houver história de prematuridade prévia, fatores de risco e outros sintomas. Somente um especialista pode diagnosticar a IIC e indicar o melhor tratamento.
O diagnóstico fora da gravidez pode ser realizado pelo histórico de perdas gestacionais prévias e pode ser complementado pelo teste da vela 8 e histerosalpingografia.
Como tratar a IIC?
Quando a IIC é diagnosticada, é possível realizar um procedimento denominado cerclagem. Esse procedimento “costura” o colo do útero de modo que a mamãe consiga levar a gestação até o final de forma saudável, evitando abortos e partos prematuros.
A cerclagem pode ser pré-gestacional ou durante a gestação, e as principais técnicas são:
- Shirodkar: realizada antes da gravidez, requer a abertura da mucosa vaginal por via transvaginal. Utilizada quando a mulher já possui diagnóstico de IIC, oferecendo mais segurança à gestação. Também é conhecida como “cerclagem definitiva”.
- McDonald: sutura circular transmucosa durante a gestação.
- Benson-Durfee: realizada durante a gravidez por via abdominal.
Com o avançar da gravidez, o médico também poderá recomendar o uso de hormônio progesterona.
Há ainda o pessário (um dispositivo redondo de borracha ou silicone que tem a função de fechar o colo do útero), porém sua eficácia ainda não foi comprovada.

Como é o procedimento de cerclagem?
A cerclagem uterina é uma pequena cirurgia feita no hospital em que a gestante fica internada por 1 ou 2 dias. Geralmente é realizada via vaginal e pode ser uma cerclagem de emergência ou programada pelo obstetra.
É uma cirurgia relativamente simples e dura cerca de 20 minutos para o médico suturar o colo do útero com alguns pontos. A cerclagem pode ser realizada entre as 12 e as 16 semanas de gestação. Na maioria dos casos, é realizada via vaginal, mas em alguns casos, o médico pode optar por laparoscopia.
A recuperação é rápida e normalmente a gestante pode voltar ao trabalho em 3 a 5 dias, porém sem fazer muito esforço. É um procedimento seguro tanto para a mamãe quanto para o bebê.
Quais são os riscos da cerclagem?
Apesar de ser um procedimento seguro, a cerclagem envolve riscos como qualquer outra cirurgia, são eles: desenvolvimento de infecção uterina, rompimento das membranas amnióticas, sangramento vaginal ou laceração do cérvix.
Quando não fazer cerclagem?
As contraindicações à cerclagem incluem a presença de contrações uterinas de trabalho de parto, o sangramento e alterações do bem estar fetal.
Quais cuidados tomar depois da cerclagem?
A gestante deve ficar de repouso e não ter relações sexuais nos primeiros dias. Ela pode voltar à sua rotina de trabalho e realizar tarefas simples, porém deve evitar exercícios físicos e levantar pesos.
O médico poderá receitar analgésicos contra a dor e remédios para impedir as contrações uterinas.
A futura mamãe também passa por uma ultrassonografia, que verifica como ficaram os pontos, se o bebê está bem e se deu tudo certo com o procedimento.
Como ficam os pontos da cerclagem?
Os pontos devem ser retirados ao redor de 37 semanas de gravidez, e a gestante deve aguardar que o trabalho de parto comece naturalmente. Geralmente, o tempo médio entre a retirada dos pontos e o parto são de 7 dias. Caso haja indicação de cesárea, os pontos devem ser retirados logo após o parto, ainda sob o efeito da anestesia. Os pontos também devem ser retirados se houver rotura das membranas, trabalho de parto ou alteração no feto.
Aqui no Instituto Barini temos uma equipe altamente capacitada para te atender em casos de Insuficiência Istmocervical.











