No Brasil, 1 em cada 5 pessoas sofre de obesidade, enquanto o sobrepeso afeta quase metade da população. A obesidade já é considerada um problema de saúde pública e afeta a sociedade como um todo. Mas como é o tratamento da obesidade?
O tratamento para Obesidade deve ser conduzido por uma equipe de saúde composta minimamente por um Endocrinologista, um Nutricionista e um Psicólogo. A Obesidade é uma doença que deve ser tratada de forma sistêmica para que componentes físicos e comportamentais sejam ajustados.
O que pode ser feito para tratar a obesidade?
Em primeiro lugar, a pessoa tem que entender que o entorno tem grande influência no tratamento da obesidade. Muitas vezes, pessoas obesas são julgadas por outras pessoas, pois a obesidade ainda é associada ao mau comportamento, fraqueza e preguiça. Romper com o auto julgamento e não aceitar a condenação de outras pessoas é o primeiro passo para se sentir bem e começar o tratamento da obesidade.
Por outro lado, o movimento de aceitação da obesidade pode ser perigoso, pois pode dar a impressão de que estar obeso não é um problema. E sim, a obesidade, mais do que um problema, é uma doença que precisa ser tratada. Isso não quer dizer que a pessoa obesa não deva se aceitar e se amar e, enquanto convive com a obesidade, deva ser respeitada.
Obesidade é uma doença?
Sim, nas últimas décadas, a obesidade já é considerada uma doença crônica.
Vale salientar que a obesidade é diferente daquele ganho de peso em algum momento da vida, que a pessoa consegue lidar e reverter.
A maior parte das pessoas começa a ganhar peso e vai acumulando gordura corporal. Esse acúmulo de gordura começa a fazer parte do organismo, gerando danos e alterando o comportamento para se perpetuar. Ou seja, o “corpo luta” para se manter obeso.
Então basta fechar a boca e fazer exercício? Se fosse tão fácil, não estaríamos em uma epidemia de obesidade.
Não é simplesmente gastar mais e comer menos, o próprio funcionamento do organismo fica alterado a ponto de não responder bem a essa matemática de calorias que muitos apontam.
A obesidade tem uma alteração no comportamento biológico que faz com que esse problema se perpetue, às vezes mesmo com alimentação saudável e atividade física. Além disso, a obesidade atua em diversos outros sistemas do organismo causando outras doenças.
Como funciona o tratamento da obesidade?
A obesidade pode ter causas genéticas e comportamentais e, por isso, deve ter um tratamento sistêmico para que seja tratada corretamente.
Dentre os pilares do tratamento de obesidade, destacam-se:
Alimentação: consultar um Nutricionista ou um Nutrólogo para melhorar a qualidade da alimentação, e ser capaz de adotar consistentemente hábitos alimentares saudáveis.
Atividade física: melhorar o condicionamento do coração, do pulmão e dos músculos. Melhorando, assim, a qualidade de vida e reduzindo o risco de a obesidade causar problemas cardíacos e diabetes. Além disso, o exercício físico ajuda na manutenção do peso perdido, evitando o efeito sanfona.
Qualidade do sono: afeta diretamente no ganho de peso. Desregula o funcionamento do corpo, além de causar ansiedade e estresse originados pela falta de sono, que influenciam diretamente o comportamento alimentar.
Alcoolismo: o álcool possui “calorias vazias”, ou seja, possui muitas calorias e baixo valor nutricional. Além disso, o álcool tem o efeito de “passar na frente” na fila do processamento de nutrientes do nosso organismo, contribuindo para o acúmulo de gordura.
Estresse: o estresse e a auto condenação prejudicam o emagrecimento, liberando hormônios como o cortisol, o que favorece a manutenção da obesidade. Além disso, o estresse contribui para o descontrole do comportamento alimentar.
O tratamento da obesidade baseia-se em uma mudança de médio a longo prazo no estilo de vida do paciente. Portanto, requer dedicação e paciência por parte de todos os envolvidos.
Por que o tratamento para obesidade é desafiador?
Quando o corpo mantém o excesso de peso por muito tempo, uma região do cérebro, chamada hipotálamo, passa a sofrer um defeito de comportamento por conta de substâncias produzidas pelo excesso de gordura.
O hipotálamo é responsável pelo controle do apetite e do quanto o organismo gasta de energia durante o dia.
Pessoas que têm excesso de peso por um período longo, passam a comer mais sem perceber, induzido pela própria obesidade. É como se a obesidade tivesse um mecanismo de auto proteção.
O corpo não fica mais satisfeito pela quantidade de comida que consumia antes. Além disso, e pior, toda tentativa de reduzir a alimentação, faz com que o centro do hipotálamo, que controla o gasto energético, envie um comando para o corpo gastar menos energia. Ou seja, a pessoa come mais e gasta menos fazendo as mesmas atividades.
A conta não fecha, por isso as pessoas precisam de auxílio para tratar a obesidade. Além disso, há uma tendência de o peso voltar após um emagrecimento.
Quais os riscos da obesidade?
A obesidade tem um causa comportamental mas também genética que, quando se instala e se perpetua, altera o comportamento de diversos órgãos levando a uma série de complicações, entre eles o diabetes e as doenças cardíacas.
As doenças mais comuns associadas à obesidade são o diabetes e a hipertensão, mas os riscos vão muito além disso. São eles:
- Sobrecargas mecânicas, desgaste de articulações, joelho, quadril, coluna.
- Sobrecarga dos órgãos, como o coração, por exemplo.
- Alteração de vasos sanguíneos, aumentando o risco de AVC.
- Alteração pulmonares, piorando quadros de asma e bronquite.
- Problemas digestivos, refluxo, azia, má digestão.
- Alterações no fígado, esteatose hepática.
- Cirrose hepática.
- Câncer de fígado, estômago, de mama, de ovário e endométrio.
- Risco de desenvolver doença de Alzheimer.
Obesidade em mulheres
Além de todos os riscos citados anteriormente, a obesidade interfere na fertilidade e pode gerar complicações na gestação. Por isso, é um desafio para as mulheres que estão tentando engravidar.
Ganho de peso após menopausa
O envelhecimento é uma das causas da obesidade. Por volta dos 25 anos começa o declínio do metabolismo. Depois dos 40, é muito difícil emagrecer como aos 25 anos.
A menopausa acontece por volta dos 50 anos e, junto com a mudança hormonal, faz com que haja um descontrole do peso. Toda transição hormonal provoca um desequilíbrio no organismo. E se a pessoa tiver uma predisposição, dependendo do seu ambiente e do seu social, ela pode engordar.
Nem toda mulher necessariamente irá engordar, mas há uma mudança corporal e a distribuição da gordura muda. A parte inferior do corpo começa a diminuir e há um acúmulo na gordura do abdômen. Há uma perda de massa muscular, onde o corpo perde seu contorno.
Quem trata a obesidade?
A especialidade que trata a obesidade é a Endocrinologia. O Endocrinologista geralmente lidera o tratamento, porém deve trabalhar em conjunto com outras especialidades para que o tratamento para obesidade seja efetivo:
Nutricionista– orienta a alimentação. Apesar do metabolismo às vezes não ajudar, como dito anteriormente, é preciso comer menos e melhor do que o habitual. A qualidade da alimentação precisa melhorar, com mais volume e menos caloria no prato.
Psicólogo- Muitas vezes, o estado emocional em que a pessoa se encontra influencia seus hábitos alimentares e, consequentemente, o seu peso. Por isso, é fundamental o apoio psicológico no tratamento da obesidade.
Qual o tratamento para obesidade de grau 1?
Na obesidade de grau 1, o paciente já passou do sobrepeso e já é considerado obeso, pois seu IMC está entre 30 e 34,9. É preciso iniciar ou intensificar a rotina de exercícios e contar com um Nutricionista para uma reeducação alimentar.
Qual o tratamento para obesidade de grau 2?
No estágio de grau 2, em que o IMC está entre 35 a 39,9, emagrecer sozinho se torna ainda mais desafiador e o paciente irá precisar da ajuda de especialistas (Endócrino, Nutricionista e Psicólogo) para conquistar seu objetivo. Em alguns casos, o médico também poderá receitar remédios para o tratamento da obesidade de grau 2.
Qual o tratamento para obesidade de grau 3 ou obesidade mórbida?
O tratamento para obesidade mórbida também passa por mudanças de estilo de vida, porém em pacientes com obesidade grau 3, a parte dos exercícios físicos pode ser mais restrita.
Em alguns casos, é necessário um tratamento cirúrgico para a obesidade e a cirurgia bariátrica pode ser indicada. Mas ela vai depender do estado de saúde do paciente e das doenças relacionadas.
Medicamento para Obesidade
Às vezes, alimentação saudável e exercícios não bastam no tratamento da obesidade. Em alguns casos é preciso alterar o comportamento biológico que está defeituoso pela obesidade.
Tratamento para obesidade com medicação funciona?
O uso de medicamentos é indicado nos casos em que não é possível ter um perda de peso que reduz os riscos para o paciente, mesmo com todas as mudanças de hábitos.
Há cada vez mais obesos que fazem mais atividades físicas que pessoas magras, com dietas restritivas, mas nem por isso conseguem tratar a obesidade. Isso porque, em alguns casos, a obesidade já se perpetuou e se instalou, ficando mais difícil emagrecer.
O grande problema da medicação, são as poucas opções efetivas para tratar a obesidade.
Hoje no Brasil são três medicamentos aprovados:
- Sibutramina – atua na regulação do apetite;.
- Orlistat- atua na absorção de gordura;.
- Liraglutida- medicamento injetável que atua no apetite. É o que mais interfere no comportamento biológico. A molécula sintética da Substância GLP1 sinaliza que a comida chegou onde tinha que chegar. Também melhora o pâncreas na produção de insulina.
Tratamento da Obesidade Infantil
A obesidade também vem afetando cada vez mais crianças e adolescentes. De acordo com o IBGE, uma a cada três crianças estão com o peso acima do recomendado para a sua idade.
Esses quilinhos extras podem ter consequências na vida adulta como o diabetes, hipertensão e colesterol alto. Além disso, pode levar à baixa autoestima e até depressão nas crianças.
Os pais devem ficar atentos, pois hoje em dia, as crianças estão cada vez mais sedentárias e passam muito tempo em frente à TV, celulares e tablets. Essa falta de exercícios físicos aliados à uma alimentação desequilibrada com doces, salgadinhos e fast foods em excesso, podem levar à obesidade infantil.
O tratamento da obesidade infantil e na adolescência é complexo e envolve várias especialidades (Endócrino, Pediatra, Nutricionista e Psicólogo) mas também começa com uma alimentação equilibrada e a prática de atividades físicas.
Acupuntura no Tratamento da Obesidade
Acupuntura emagrece? Essa é uma dúvida muito comum entre os pacientes que estão tentando emagrecer. Porém, é bom ressaltar que a acupuntura não age diretamente na perda de gordura e, consequentemente, sozinha não emagrece ninguém.
Mas a acupuntura atua sobre os fatores que interferem no excesso de peso e reequilibra o organismo como um todo, trazendo benefícios como: controle do apetite, aumento do metabolismo, redução da ansiedade e melhora do funcionamento intestinal. Sendo assim, a acupuntura se torna uma excelente aliada no tratamento da obesidade.
Obesidade x Covid
A pandemia de obesidade e diabetes vem antes do Covid.
Entre os vários fatores de risco para o coronavírus, como a idade e problemas cardíacos, a obesidade está no topo. Exemplo: uma pessoa diabética bem controlada ainda corre menos risco do que uma pessoa obesa.
Os fatores de risco vão se somando e não influenciam no contágio, mas sim nas complicações que podem surgir, podendo causar até o óbito do paciente.
A obesidade causa uma inflamação no nosso organismo: quando a gordura se espalha, ela passa a ter um mau comportamento biológico, produzindo substâncias inflamatórias que o corpo normalmente não produziria. Essa inflamação faz com que a reação inflamatória contra o coronavírus seja muito mais acentuada, e essa é a principal causa das complicações causadas pelo vírus e não a destruição direta causada pelo vírus nos órgãos.
Por isso, mais do que nunca é importante que a obesidade seja tratada de forma saudável.
Tratamento com Respeito
A obesidade é uma doença. Assim como em outras comorbidades, o paciente não escolhe por adquiri-la. Por isso, é necessário um olhar de empatia e conhecimento para vencer o preconceito contra a obesidade. O respeito ao paciente vem em primeiro lugar em seu tratamento.











