Todos sabemos que teremos muitos benefícios para nossa saúde e mesmo para nossa vida cotidiana se nos alimentarmos bem: dormir melhor, ter mais disposição e libido, maior concentração e memória, além de evitar desconfortos como refluxo, cólicas, constipação e desequilíbrios na função intestinal e redução de riscos de doenças crônicas. Por que, então, não nos alimentamos bem?
Ocorre que a alimentação é muito mais do que nutrição. Comer também é vida, é socialização, é prazer. Nossa alimentação está intimamente ligada aos nossos gostos. E estes, por sua vez, estão muito conectados a memórias afetivas, ou seja, ao conteúdo afetivo que ficou atrelado aos alimentos que comíamos quando criança. Tendemos a procurar aquilo que comíamos em situações positivas de afeto e a rejeitar o que ficou relacionado a más experiências.
Pessoas que foram forçadas a comer determinado tipo de alimento, por exemplo, tendem depois a rejeitá-lo por toda a vida. Enquanto alimentos que representavam um grande afeto em meio a um cenário adverso, podem mesmo chegar a gerar comportamentos compulsivos na vida adulta.
Nos últimos anos, algumas linhas de Nutrição, como a Nutrição Comportamental, se debruçaram sobre esta questão e observaram que dietas restritivas, na vasta maioria dos casos, resultam em comportamentos compulsivos de rebote (daí o já conhecido “efeito sanfona” de emagrecimento e ganho de peso).
Por conta disso, estas linhas não trabalham com “dietas” temporárias, mas sim com ajustes na alimentação do paciente, que este realmente consiga integrar com prazer em sua vida, para que os efeitos sejam duradouros e sem aquela típica sensação de esforço e privação.
Nestas linhas são utilizadas ferramentas como:
- Comer Intuitivo, técnica que ajuda a resgatar a percepção dos sinais do corpo com relação aos alimentos;
- Comer com Atenção Plena (ou Mindful Eating), que auxilia a termos presença e consciência durante o momento das refeições;
- Entrevista Motivacional, que é uma anamnese focada no comportamento alimentar; e
- Técnicas de Terapia Cognitivo Comportamental.
Para se chegar na melhoria de saúde e qualidade de vida pretendidas, é preciso, então, considerar as individualidades do paciente, trabalhando junto com ele em soluções viáveis, que respeitem o que ele sente e traga consciência sobre o seu processo alimentar. E ao invés de se propor dietas “padrão” que servem para todos, será estudado o caso específico e estratégias passo a passo serão propostas para que possa haver uma caminhada factível, de dentro para fora, rumo à maior saúde.